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Ataque

Redução de impostos de importação ameaça polo de duas rodas em Manaus

A medida do Governo Federal, se mantida gera desemprego e milhões em prejuízos para o estado
image Crédito: divulgação
Há 3 semanas

Os atrativos para que indústrias se instalem no Polo Incentivado de Manaus são as alíquotas altas de Impostos para Importação e de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Motivo pelo qual empresas multinacionais instalam-se em Manaus, onde geram riqueza para o estado do Amazonas, a principal delas o emprego.

Mas desconsiderando os incentivos protegidos pela CF88, nesta quarta-feira, via redes sociais, o presidente da República, Jair Bolsonaro, divulgou uma decisão do Governo Federal, publicada no Diário Oficial da União, que reduz de 35% para 20% Imposto de Importação de bicicletas. Se mantida, essa medida que afronta a Lei, será como uma carta convite para que essas empresas do setor deixem Manaus e, consequentemente, desempreguem aproximadamente cinco mil trabalhadores diretos.

Wilson Périco, economista e dirigente do Centro das Indústrias do Amazonas (Cieam), lembra que o polo de duas rodas é responsável por aproximadamente 20 mil empregos e fechou 2020 com um faturamento de aproximadamente 14 bilhões de reais. Dentro disso está o subsetor de bicicletas, que garante pouco mais de cinco mil empregos formais e fechou o ano com faturamento aproximado de R 1,9 bilhão.Não se pode desconsiderar os números. Precisamos estar atentos e observar com atenção qual a verdadeira intenção dessa medida, porque esse ataque pode atingir todo o polo industrial. Vamos reagir”, disse.

Para o Deputado Estadual Serafim Corrêa, que também é economista, lembrou que essa é apenas mais uma decisão do Governo Bolsonaro, atacando o modelo econômico amazonense. “Essa decisão praticamente expulsa os fabricantes de bicicletas de Manaus e garante o desemprego de pelo menos 5.000 trabalhadores. Sou totalmente contra essa redução de alíquotas que prejudica o Amazonas e favorece a China, quebrando um setor importante do nosso Polo Industrial”, enfatizou.

  

Parlamentares amazonenses reagem em Brasília

Eleito vice-presidente da Câmara e do Congresso Nacional com apoio do presidente Jair Bolsonaro, o Deputado Estadual Marcelo Ramos também se posicionou contra a medida e criticou a decisão do Governo Federal. “Estamos vivenciando uma grave crise econômica com quase 15 milhões de desempregados. Insistir nessa decisão e gerar mais desemprego não é razoável. Já reunimos a bancada amazonense e juntos fizemos um apelo para que o ministro da economia Paulo Guedes reveja essa sua decisão”, disse Marcelo.  

O Líder da bancada amazonense no Congresso Nacional e presidente da Comissão de Economia do Senado Federal, Senador Omar Aziz se pronunciou também pelas redes sociais, afirmando que entrou em contato com o Gabinete do presidente  Ministro da Economia Paulo Guedes, autor das medidas despachadas pelo Presidente. “ Nesse momento, o Amazonas não suporta mais essa asfixia. Repense essa medida e nos dê o fôlego que precisamos para manter os empregos e a renda que nos ajudará a superar essa crise”, disse Omar Aziz. “Cabe a nós, que somos gestores públicos, ter sensibilidade e bom-senso. São posicionamentos baseados nesses dois alicerces, bem como na coragem e na inteligência, que marcam o legado dos políticos e grandes homens.”, enfatizou Omar.

 

 

O Deputado Federal  José Ricardo se irmanou aos outros amazonenses parlamentares e afirmou que vai tentar  derrubar a decisão governamental com o um Projeto de  Decreto Legislativo(PDL), que está sendo construído por sua assessoria técnica. “O Presidente é  inimigo do Amazonas e claramente  contra a Zona Franca de Manaus.  Se mantiver isso, vai gerar desemprego no Amazonas e garantir emprego em outros países. Não vamos ficar de braços cruzados esperando isso ocorrer”, garantiu.

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