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Pandemia

Mortes por Covid neste ano são superiores a 2020: pesquisadores fazem alerta

Para Lucas Ferrante, do Inpa, a abertura do comércio e o ritmo lento da vacinação acaba sendo uma incoerência
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Há 3 semanas

Ainda nem acabou o segundo mês de 2021 e o ano já ultrapassou o número de mortes por Covid no Amazonas, contando de março a dezembro de 2020. No ano passado, o Estado registrou 5.285 óbitos e, de janeiro até a última terça-feira, 23, este número já soma 5.288 mortes. Com os altos registros de mortes e contaminação pelo vírus, pesquisadores enxergam a abertura do comércio na capital como algo absurdo.

O número de mortes cresceu de forma acelerada, sendo classificada de "segunda onda" da doença e, ocasionada pela variante P1 que tem maior transmissibilidade. Com isso, o alto número de internações, a falta de leitos clínicos, UTI’s e a crise do oxigênio foram os principais motivos que tornaram o Amazonas destaque negativo no mundo.

O doutorando do Programa de Biologia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Lucas Ferrante, afirma que é absurda a ideia da reabertura do comércio, visto que a pandemia não está tendo recrudescimento e a vacinação segue em ritmo lento.

““Nós fizemos uma nota técnica a pedido dos deputados Capitão Alberto Neto e Álvaro Campelo para avaliar a pandemia em Manaus. Esta nota foi encaminhada por mim também para Prefeitura (de Manaus) e para o governo do Amazonas, alertando que o se o Estado não passar por um lockdown severo, com restrição de 90% da população, por um período de 20 a 30 dias além a vacinação de pelo 70%, de forma concomitante, teremos uma terceira onda e o surgimento de uma variante resistente a vacinas. Nós não estamos vacinando na velocidade que se necessita, e a pandemia não está tendo recrudescimento, a diminuição dos números são mínimos e é absurda a ideia de abertura do comercio. Manaus já está se tornando o epicentro mundial da Covid-19, pois existe um risco eminente de uma variante resiste a vacina”, alertou.

Lucas Ferrante afirma também que é "ridícula" a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM) concordar com essa flexibilização. “A situação é gravíssima, existe negligência do governo do Estado, temos uma variante com alta transmissibilidade, o dobro de morte a cada mês e se opta por uma abertura do comercio? É ridícula a atitude do governo e da FVS-AM. Existe uma negligência e essas pessoas precisam ser púnidas”, reafirmou. 

O professor de Departamento de Matemática da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Wilhelm Alexander, diz que pelo ponto de vista científico, esse não era o momento para uma flexibilização. 

"Pelo ponto vista cientifico é preocupante o que vai acontecer nas próximas semanas, a situação ainda está fora do controle. O certo seria tornar as medidas rígidas ao invés de afrouxar", assinalou.

Conforme o último boletim da FVS, divulgado na tarde desta terça, 23, o Amazonas já contabiliza 309.311 infecções pelo vírus e 10.573 mortes pela doença, em 11 meses de pandemia

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