Política

CPI da Saúde

Às vezes eu autorizava o pagamento e só sabia dos detalhes depois, diz Tobias

Rodrigo Tobias declarou que nem sempre conseguia acompanhar os processos até o fim


João Luiz Onety
29/06/2020 às 18h20min

- Foto: João Luiz Onety


A 10ª reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito da Saúde da Assembleia Legislativa do Amazonas, terminou há pouco, depois de seis horas (com pausa para almoço) de depoimento do ex-secretário de saúde, Rodrigo Tobias que foi o responsável pela pasta entre 28 de março de 2019 a 7 abril deste ano.


Ao longo do depoimento, o ex-gestor da saúde falou sobre vários temas ligados a possíveis fraudes na saúde pública, como a compra dos ventiladores pulmonares e dos contratos envolvendo o Hospital de Campanha da Nilton Lins.

 

Tobias comentou sobre a instabilidade e falta de confiança durante sua gestão por parte do governador Wilson Lima.

 

´´É como se eu tivesse que comprovar a todo momento que estávamos fazendo um bom trabalho, coloquei meu cargo à disposição pois eu sentia desconfiança em relação ao meu trabalho´´


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Ao longo do depoimento, o ex-secretário tentou esclarecer sua relação com a assinatura da compra dos aparelhos e da real necessidade da compra dos respiradores e qual foi a participação de Tobias neste processo.


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´´O processo dos respiradores foi apenas um dos vários processos de compra, inclusive dos respiradores. Eu tive conhecimento desse processo, mas eu não tive acesso ao processo físico, eu saí antes, eu não sabia que tinha minha assinatura, eu não sabia que mudaram o ID do tipo de respirador a ser comprado´´.


´´Sim, tive ciência do início do processo de compra. Não tive condições de verificar se a área técnica está tratando o trâmite de modo correto, eu precisava confiar´´

 

“Comprovamos outras inúmeras contradições na gestão do atual governo durante a pandemia do nosso Estado. Ficou claro que ele (Rodrigo Tobias) discordou de muitas ordens neste período, mas também estamos cientes de que como gestor, terá de responder por cada ato de sua gestão”, disse o presidente da CPI, Delegado Péricles. 


Tobias citou que participou de várias reuniões onde estavam presentes várias pessoas ligadas e não ligadas à SUSAM, como a marketeira Carla Pollake e a atual secretária estadual de Comunicação, Daniela Assayag.


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Ele afirmou que Carla exercia forte influência no governo de Wilson Lima e que Daniela participou de reuniões, onde ela perguntava como estava o andamento do processo da compra dos respiradores.

 

Os membros da CPI, logo declararam que pelo fato de Assayag participar de reuniões é notório que o governador Wilson Lima ficou sabendo com antecedência da compra dos ventiladores e da proposta mais vantajosa, feita pela empresa SONOAR, antes da SUSAM comprar os mesmos aparelhos por um valor superfaturado da empresa Vineria Adega nome fantasia da FJAP Ltda.


No que diz respeito à elaboração de contrato com o hospital de Campanha Nilton Lins, Tobias demorou e ainda assim não conseguiu ser claro para responder se tinha ou não ciência das assinaturas, ele declarou que nem sempre acompanhava os processos do começo ao fim.

 

´´ Às vezes eu autorizava o pagamento mas ficava sabendo dos detalhes depois ´´

 

O deputado Wilker Barreto declarou, ´´ Se não tivéssemos entrado com as ações da CPI, era mais barato ter um assalto à mão-armada do que continuar com os contratos nos hospitais´´

 

Depois do depoimento do ex-secretário Rodrigo Tobias, os deputados Wilker Barreto (Podemos) e Delegado Péricles (PSL) colocaram em votação dois requerimentos


um que cobra informações quanto ao custo, projeto básico, número de profissionais, abrangência, área de atuação do programa Anjos da Saúde, que foi concebido pela marketeira Carla Pollake, amplamente citada como pessoa forte dentro do governo do Estado e outro foi a solicitação do projeto básico do aluguel do Hospital de Campanha da Nilton Lins.


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Barreto cita inclusive que o programa cita a plantação de mudas, algo que claramente desvia do principal foco, que era (e ainda é) o combate à COVID, principalmente pelo fato do programa custar 6 milhões de reais (dos quais 2 milhões já foram pagos)

 

Apenas o deputado Dr. Gomes (PSC) não aprovou o requerimento. Dessa forma as solicitações propostas serão enviadas à Secretaria Estadual de Saúde (SUSAM) e  Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico e Social (AADES)

 

Estava marcado para esta segunda-feira (29) outro depoimento, o do ex-secretário executivo adjunto do Fundo Estadual de Saúde, Perseverando da Trindade Garcia Filho. Entretanto com o prolongamento da primeira oitiva, o depoimento foi adiado para às 15h00 desta quarta-feira (30).

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