Coluna Pimenta e Refresco

Não é de hoje a reclamação da falta de estruturas para as categorias de base de futebol amazonense. Desde a década de 1980, pouquíssimos jogadores formados aqui, brilharam aqui. São anos de sacrifícios desses atletas e além, família e amigos que compartilham do sonho de verem um jogador nosso representando nosso estado.


Mas as dificuldades de no dia-a-dia treinarem e estudarem, se alimentarem entre todos os pré-requisitos elementares para quem quer ser um atleta profissional, perdem para a teimosia dos dirigentes esportivos (cartolas), que aqui no Amazonas já chegaram a terceirizar a categoria de base.


O absurdo é tão grande, que um time inteiro, em determinada competição, ficou  “à deriva” no aeroporto de São Paulo, enquanto providenciavam as passagens para voltarem. E não foi a primeira vez que ocorreu. Em 1992, no aeroporto de Cumbica em Minas Gerais, após a Taça Belo Horizonte, pelo menos 10 atletas passaram 24h à espera da volta. Isso revela como as categorias de base são pensadas no Amazonas. Enquanto nos outros estados, os atletas da base são encarados e gerenciados como investimento, no Amazonas são considerados “peso”.


A analise é superficial. Se aprofundarmos os exemplos, o problema cresce mais ainda. Mas em cima desse pouco que apontamos, podemos questionar: Porque os atletas amazonenses não servem para o futebol profissional do Amazonas, mas conseguem brilhar fora do Amazonas ? E a resposta é resumida em uma palavra: “Cartolagem”. 


Para um ou mais exemplos, a resposta será a mesma. A cartolagem do futebol amazonense continua com o mesmo “modus operandi” do século passado, sem planejamento, sem profissionalismo, cheia de autoritarismo e interesses por parte de quem toma decisões. A cartolagem continua sendo o maior fornecedor de jogadores de futebol para as fabricas do distrito industrial de Manaus. E aqui é assunto para mais algumas laudas, cheias de exemplo, de revolta, de decepções e outros sentimentos ruins, gerados pelas decisões dos nossos cartolas.

E infelizmente para o nosso futebol, esse ciclo vicioso é permanente e renovável. É isso mesmo ! A Cartolagem no futebol amazonense, ao mesmo tempo que se eterniza, se renova !  E o nosso futebol não consegue atravessar o rio, para um porto onde já teve cadeira cativa.  Falta talento aos nossos meninos ? Não.    Falta apoio das famílias dos atletas ?  Não !  O que falta é força , para a implosão da sala que reúne os nossos presidentes e gerentes de futebol.


Enquanto isso , o nosso Junior brilha na Coreia do Sul. O nosso Maradona brilha no Marrocos. O nosso Celino brilha na Europa , renovando a esperança de dias melhores para quem escolhe o difícil caminho do futebol no Amazonas.

Nailson da Costa de Castro

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