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Democracia

Políticos do Amazonas repercutem fala de Braga Netto sobre voto impresso

Ministro da Defesa, no entanto, nega que tenha feito declarações ameaçadoras
image Crédito: Montagem/ Portal Norte de Notícias
Fonte: Portal Norte de Notícias - Há 3 dias

Embora tenha negado que houvesse enviado recado em tom ameaçador ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), sobre as eleições 2022 serem com voto impresso e auditável sob pena de não acontecer, a suposta fala do ministro da Defesa, general Braga Netto, teve interpretações distintas entre políticos do Amazonas. Aliados do governo federal ouvidos pelo Portal Norte de Notícias afirmam que a declaração do ministro foi distorcida pelos meios de comunicação. Já a oposição, a manifestação soa como um ataque à democracia.

“As informações distorcidas divulgadas tentam enfraquecer a imagem do presidente, principalmente, num momento em que precisamos unir forças entre os Poderes e não gerar inseguranças. Tanto que o Ministro da Defesa, Braga Netto, e o Presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, desmentiram enfaticamente tais informações e que não houve, em momento algum, ameaça às instituições democráticas nem ao pleito eleitoral”, comentou o deputado federal Alberto Neto (Republicanos).

Segundo ele, o presidente é um defensor da democracia e quer aperfeiçoar o processo democrático. “Tanto que procurou garantir o respeito da escolha popular nas eleições, defendendo o voto impresso auditável, que é o aperfeiçoamento do nosso processo democrático. Porém, quem vai decidir isso é o Congresso. Logo, o que for decidido no Congresso, as Forças Armadas têm que fazer cumprir. E a nossa Constituição é clara nisso e nossas instituições continuam funcionando a serviço da democracia”, completou.

Para o deputado federal, delegado Pablo (PSL), o ministro não cometeu nem ato descabido. “Acredito que o ministro manifestou sua posição favorável ao voto impresso. Não vejo tal postura como ameaça à democracia. Democracia que, por sinal, sou defensor inarredável. Saliento que a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara, da qual sou vice-presidente, aprovou no dia 13 de julho, o convite ao ministro da Defesa, Walter Braga Netto, para comparecer à casa legislativa e explicar recentes declarações de sua pasta", disse o parlamentar.

Também bolsonarista, o deputado estadual Delegado Péricles (PSL) endossa a tese de que houve uma distorção dos fatos e que o movimento não passa de uma estratégia de gerar instabilidade entre os poderes. "Democracia é democracia e o voto impresso vem para garantir que ela seja exercida em sua plenitude. Mas, isso não significa que abriremos mão de ato democrático em momento algum”, afirmou.

Ataque

Para o decano da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), deputado Serafim Corrêa (PSB), a insinuação do ministro é muito grave. “Os campos estão ficam bem demarcados, agora resta saber quem é favor da democracia, e quem é a favor do golpe. A minha posição é muito clara, sou a favor a democracia. E todos aqueles, inclusive o general, que insinua, que se não tiver voto impresso não tem eleição, ele está contra a democracia. Portanto, sou contra qualquer atentado à democracia”, expôs.

Para o petista José Ricardo, os militares que fazem parte do governo de Bolsonaro estão intencionados em impor regras, em vez de assumir um papel democrático.

“Entendo que as Forças Armadas deveriam cuidar daquilo que é o seu papel constitucional, cuidar da soberania do Brasil, da Defesa Nacional contra qualquer ameaça externa. Na parte da política, não é o papel das Forças Armadas. Estamos vivendo um governo militar e alguns generais estão querendo impor regras, inclusive, que não estão na Constituição Federal. Não sou contra a participação de ninguém na política. Mas, se quiser ser político ou militante político, que saia das Forças Armadas e assuma seu papel como militante político”, explanou. Zé Ricardo defendeu que todos devem respeitar a Constituição Federal, inclusive o general Braga Netto.

Desmentido

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luiz Roberto Barroso, que vem defendendo veemente o voto digital tal como é atualmente e se posicionado contra o voto impresso, afirmou que conversou com Braga Netto e com o deputado Arthur Lira e, ambos negaram o teor das declarações que foram veiculadas pelo site Estadão. 

Em suas redes sociais, o ex-superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Alexandre Saraiva, relembrou o que diz o artigo 175 do Código Eleitoral em que "promover desordem que prejudique os trabalhos eleitorais: pena – reclusão de um a quatro anos".

Em seu post, ele afirma que espera que a fala de Braga Netto não tenha acontecido de verdade. Uma hora depois, Saraiva repostou fala do ministro Barroso em que fala que Braga Netto nega a eventual ameaça sobre a eleição 2022.

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