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Covid-19

Presidente da CPI da Pandemia ressalta que comissão vai atrás da 'verdade'

Senador Omar Aziz vai conduzir os trabalhos do colegiado, que tem duração inicial de 90 dias
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Fonte: Anilton Jr. - Há 1 semanas

Em entrevista exclusiva ao Portal Norte de Notícias, o presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), enfatizou que o principal objetivo da comissão é ir atras da "verdade". Questionado sobre qual seria esta “verdade”, o senador levantou dúvidas a serem respondidas durante as investigações.

“Porque a gente não comprou as vacinas? Porque que a gente demorou para resolver o oxigênio no Amazonas? Porque a gente não tinha EPI’s? Porque a gente não estava preparado para receber pacientes?”, questionou.

Omar confirmou, ainda, que os quatro ministros da Saúde da gestão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) serão os primeiros a serem ouvidos na comissão investigativa.

Os ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich depõem à CPI nesta terça-feira, 4. Na quarta, 5, é a vez do general Eduardo Pazuello. Na quinta-feira, 6, depõem Marcelo Queiroga, atual ministro da Saúde, e Antonio Barra Torres, presidente da Anvisa.

Leia trechos da entrevista

Pressão do Planalto

Para o presidente da CPI, a estratégia do governo federal de enfraquecer a comissão está equivocada. "Eu, se estivesse no lugar dele, queria ser investigado logo. Para tirar isso da pauta. Se alguém não teme, porque não vai deixar ser investigado?”, questionou novamente. O senador ressaltou que a comissão não vai atrás de vingança, e sim, de Justiça.

“Eu quero saber onde nós erramos. O que foi feito. Porque o primeiro ministro (Luiz Henrique Mandetta) não tomou precauções para o vírus não se alastrasse Brasil a fora?”, pontuou.

Prefeitos e governadores

O Amazonas é um dos focos da CPI, especialmente o desabastecimento de oxigênio para pacientes graves da Covid. Para o senador, é normal a pressão para que se investigue as atuações do governador Wilson Lima (PSC), e do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), no combate à pandemia.

“O escopo da CPI, quando ela é criada, é a ausência do governo federal, aquilo que deixou de fazer, e a falta de oxigênio no Amazonas. Então qualquer prefeito ou governador que tenha fato determinante para ser investigado, será investigado”, enfatizou.

Vacina e Paulo Guedes

“Em vez de negociar (a compra de vacinas), foram criticar ‘ah, o vírus é chinês’. Isso não salvou uma vida. O que salva vida é vacina. Vacina! Quem puder, se vacine. Ninguém vai virar sapo ou jacaré. Isso é uma brincadeira!”, protestou, falando da lenta aquisição de imunizantes pelo governo federal.

Omar Aziz também repreendeu o ministro da Economia, Paulo Guedes, que recentemente criticou a Coronavac, vacina inicialmente produzida por empresas chinesas, e que será apurada a demora em adquirir as doses da vacina.

“Eu não posso dizer que a Coronavac não presta como o Paulo Guedes disse. Momento delicado. Sem sensibilidade nenhuma. E acham que não vamos investigar isso? Vamos investigar. Pode ter certeza”, afirmou.

Lockdown

O senador também defendeu as medidas restritivas de circulação de pessoas como combate ao novo coronavírus, ações que frequentemente são criticadas pelo presidente Bolsonaro.

“O governo diminui o ‘lockdown’, aí você vê os bares lotados. É preciso isolamento. Porque se não, não tem jeito. O cara é de direita, direito dele, mas você pega também, teu corpo não é melhor do que dos outros”, ressaltou.

Meio milhão de mortes 

“Infelizmente, enquanto a CPI estiver durando nos próximos 60 dias, nós vamos chegar a 500 mil mortos”, disse Omar Aziz, ao falar sobre o atual cenário da pandemia no Brasil. No momento, o país computa mais de 406 mil óbitos pelo novo coronavírus.

À princípio, a Comissão Parlamentar de Inquérito, que está em curso no Senado, terá duração de 90 dias, podendo ser prorrogada por igual período. O vice-presidente da CPI é Renan Calheiros (MDB-AL). O relator é o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Instalada no último dia 27 de abril, a CPI vai investigar as ações do governo federal no combate à Covid-19; a aplicação de recursos federais por Estados e municípios e a crise sanitária que se instalou no Amazonas durante a segunda onda da Covid-19.

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