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Polêmica

Ouça a conversa entre Bolsonaro e Kajuru; áudio foi divulgado pelo senador

Tema central do diálogo é sobre a CPI da Covid que o STF determinou que fosse instalada no Senado
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Fonte: UOL Notícias - Há 2 semanas

O senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) divulgou ontem um trecho da conversa com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que foi gravada pelo parlamentar. O diálogo aconteceu às vésperas da instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que pretende investigar como o combate à pandemia foi conduzido no Brasil.

Na gravação, o presidente Jair Bolsonaro dá a entender que, caso haja pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), a instalação da comissão para apurar as ações do governo na pandemia pode ser interrompida.

O presidente cobrou ao senador que a CPI seja instalada de forma ampla. O que significa que governadores e prefeitos também seriam adicionados como alvos das investigações.

Confira a transcrição completa da conversa entre Kajuru e Bolsonaro: 

Bolsonaro: Então uma CPI completamente direcionada à minha pessoa. 

Kajuru: Não, presidente, a gente pode convocar governadores. 

Bolsonaro: Se você não mudar o objeto da CPI, você não pode convocar governadores. 

Kajuru: Tá, mas eu vou mudar. Eu quero ouvir os governadores. 

Bolsonaro: Se mudar [trecho inaudível], porque nós não temos nada a esconder. 

Kajuru: Não, eu não abro mão de ouvir governadores em hipótese alguma. 

Bolsonaro: Então, olha só... 

Kajuru interrompe: Eu só não quero que o senhor me coloque no mesmo joio. 

Bolsonaro: Olha só, você tem que fazer, tem que mudar o objetivo da CPI. Tem que ser ampla.

Kajuru: Ampla, claro. 

Bolsonaro: CPI da Covid no Brasil. Daí você faz um excelente trabalho pelo Brasil. 

Kajuru: Exato. O que eu quero fazer é isso. Eu não vou manchar meu nome de forma alguma.

Bolsonaro: Você não é o autor da CPI, então o objetivo do autor, que eu não sei quem é, como tá lá, é investigar omissões do governo federal no combate à covid. 

Kajuru: Não é meu caso. 

Bolsonaro: Tudo bem. 

Kajuru: Eu acabei de declarar para o Augusto Nunes, mas eu quero dizer que eu não posso ser colocado no mesmo joio, não é, presidente? Nas suas entrevistas, o senhor coloca como se todos nós fossemos iguais. Aí não é certo. 

Bolsonaro: A CPI hoje é para investigar omissões do presidente Jair Bolsonaro. Ponto final.

Kajuru: O senhor pode dizer: 'Não é o que pensa o senador Kajuru que quer fazer uma investigação completa'. 

Bolsonaro: Kajuru, se não mudar o objetivo da CPI ela vai só vir para cima de mim. 

Kajuru: Mas não vai, presidente. Tem a opinião de outros. São 11 titulares e 8 suplentes. A opinião de um não prevalece. Vai prevalecer a quem concordar. Eu não concordo com coisa errada, presidente. 

Bolsonaro: Kajuru, olha só: Tem que fazer para ter uma CPI que realmente seja útil para o Brasil. Mudar a amplitude dela, bota governadores e prefeitos. 

Kajuru: Sim, vou mudar. 

Bolsonaro: Presidente da república, governadores e prefeitos. 

Kajuru: Eu fui o primeiro a assinar para governadores e municípios. O senhor pode ver lá. Portanto, eu concordo com a amplitude. 

Bolsonaro: Tá ok. Se mudar a amplitude, tudo bem, mas se não mudar, a CPI vai simplesmente ouvir o Pazuello, ouvir gente nossa para fazer um relatório "sacana". 

Kajuru: Isso ai eu não faço nunca, pela minha mãe. 

Bolsonaro: Vamos lá, Kajuru, coisa importante aqui: A gente tem que fazer do limão uma limonada. Por enquanto o que está aí é um limão, e tá para sair uma limonada. Acho que você já fez alguma coisa. Tem que peticionar o supremo e colocar em pauta o impeachment também. 

Kajuru: E o que eu fiz? O senhor não viu o que eu fiz não? 

Bolsonaro: Parece que você fez. Fez pensando em investigar quem? 

Kajuru: O Alexandre de Moraes, ué. 

Bolsonaro: Tudo bem. 

Kajuru: O do Alexandre de Moraes meu já está lá engavetado pelo Pacheco, só falta ele liberar, correto? 

Bolsonaro: Você pressionou o Supremo, né? 

Kajuru: Sim, claro. Eu entrei contra o Supremo. Entrei ontem às 17h40. 

Bolsonaro: Parabéns para você. 

Kajuru: Eu só queria que o senhor desse crédito para mim nesse ponto. 

Bolsonaro: Kajuru, de tudo o que nós conversamos aqui, nós estamos afinados, nós dois. É CPI ampla, investigar ministros do Supremo. 

Kajuru: E nunca "revanchista". 

Bolsonaro: Dez para você. Tendo a oportunidade, eu falo com as mídias e sinto que a minha conversa contigo, ampla CPI do Covid. E também o Supremo. 

Kajuru: Exatamente. Se ele fez com a CPI tem que fazer também com o ministro. 

Bolsonaro: Sim. 

Kajuru: Quer dizer, então é a coisa justa. O que é difícil pra mim é que eu tenho uma posição dessa, presidente, e aí todo mundo vem contra mim porque a fala do senhor generaliza todo mundo. Não é só eu não. Acho que o senhor precisa separar o joio do trigo. 

Bolsonaro: Kajuru, olha, qualquer pessoa que eu conversar vou dizer o seguinte: 'O Kajuru foi bem intencionado, só que a CPI era restrita. Só que agora ele vai fazer o possível para ter uma CPI ampla. Da minha parte, não tem problema nenhum. Ele inspecionou o Supremo, que deve ser o Barroso. 

Kajuru: Deve ser não, tem que ser, por causa daquela palavra jurídica "pretento", então juridicamente ele é obrigado a opinar, ele não pode botar na mão de outro ministro. 

Bolsonaro: É "prevento". Ele vai ter que despachar. 

Kajuru: Ele não pode colocar na mão de outro. Modéstia à parte, eu acho que fui bem nessa.

Bolsonaro: Bem não, você foi dez. Acho que o que vai acontecer, eles vão ponderar tudo. Não tem CPI nem tem investigação do Supremo. 

Kajuru: Ou bota tudo, ou zero a zero. 

Bolsonaro: Eu sou a favor de botar tudo pra frente. 

Kajuru: É, claro, vamo pro "pau".

Bolsonaro: A questão do vírus, ninguém vai curar, não vai deixar de morrer gente infelizmente no Brasil. Um dia morre menos gente se os prefeitos todos pegassem recursos e investissem em postos de saúde, hospital. 

Kajuru: Presidente, eu sou justo. Nunca pedi uma agulha para o senhor. 

Bolsonaro: Estamos 100% assinados. 

Kajuru: Eu só quero pedir justiça, presidente. 

Bolsonaro: Se você me pedir algo, sei que vai fazer bom uso. 

Kajuru: O senhor me ajudou no que, foi o único presidente da república da história do Brasil que ajudou a diabetes. E isso aí é toma lá da cá? 

Bolsonaro: Tem nada a ver. 

Kajuru: Pelo amor de Deus, não é? 

Bolsonaro: Tá certo. 

Kajuru: Abraço para você. Bom final de semana e saúde. 

Bolsonaro: Valeu, até mais.

 

Mais cedo, em entrevista à Rádio Bandeirantes, Kajuru revelou um trecho inédito do áudio, em que Bolsonaro fala em "ir para a porrada" com o também senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP). Kajuru afirma que, "se a CPI for revanchista", ele "faz questão de não participar". O presidente, então, responde: "Se você não participa, a canalhada do Randolfe Rodrigues vai participar. E vai começar a encher o saco. Aí vou ter que sair na porrada com um bosta desse".

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