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Tendência

Quem disse que barbearia é um universo exclusivamente masculino?

Em Manaus, já há espaços em que mulheres é que comandam o negócio e o corte
image Crédito: Joana Rebouças
Fonte: Joana Rebouças - Há 4 semanas

As mulheres cada vez mais têm ganhado espaço em lugares reconhecidos como “tipicamente” masculino, nesta semana, o Brasil aplaudiu de pé a pequena Rayssa de 13 anos conquistando uma medalha de prata nas Olímpiadas na modalidade de skate street. Assim como o skate, outros esportes e até profissões são em sua maioria exercidas por homens e as mulheres que decidem adentrar nesses meios acabam encontrado barreiras, como é o caso da barbearia.

O universo das barbershops surgiu com esse ideal de masculinidade, algumas barbearias apostam em ambientes totalmente voltados para o público masculino, apenas com barbeiros homens, mas essa realidade tem mudado aos poucos. Mulheres têm adentrado nesse mundo buscando a especialização para se firmar no mercado.

Esse é o caso da barbeira Yasmin Rebouças, que exerce a profissão de barbeira há 1 ano. Ela é formada em serviço social, mas não atua na área. Começou cortando o cabelo do marido em casa com uma máquina caseira da sogra, quando percebeu que levava jeito.

Com incentivo do companheiro, Yasmim resolveu se especializar e começou a fazer um curso básico de barbearia e, ainda durante o curso, recebeu sua primeira proposta de trabalho e começou a atuar profissionalmente na área.

“Eu resolvi entrar no ramo porque queria me estabelecer em uma profissão que eu gostasse. Eu tinha uns amigos barbeiros que eu acompanhava e eu gostava muito do trabalho deles, e depois comecei a conhecer o trabalho de mulheres que me inspiraram”, relembra.

Machismo

Yasmin conta que não encontrou muita dificuldade em relação a profissão, mas já teve situações que presenciou clientes que se sentiam inseguros em cortar o cabelo com barbeiras mulheres.

“Os próprios colegas de trabalho se sentem um pouco incomodados, já teve pessoas que achavam que eu não tinha capacidade de estar naquele lugar, atuando como barbeira, e a gente sente que é justamente pelo fato de eu ser mulher”, conta.

Yasmin conta também que mulheres que trabalham em ambientes masculino passam por muita coisa.

“Tem o assédio, as brincadeiras de mau gosto e tem também a desvalorização da mulher como profissional. Acham que a gente não é capaz, que não conseguimos, que somos o sexo frágil. A gente tem que saber ser forte e não deixar que o machismo atinja a gente. As vezes a gente fica abalada, mas precisamos seguir firme e mostrar nossa competência e profissionalismo”, disse.

Apesar do preconceito, muitas mulheres têm ganhado espaço. Yasmin disse que se inspira em outras barbeiras, como Erika Carvalho e Claudia Barber.

“Eu acho muito importante as mulheres ocuparem esses espaços masculinos, acho muito bonito ver mulheres indo atrás do que querem, que desbravam novos empregos, novos cargos, novas áreas”, conclui.

Yasmin e Erika Carvalho

 

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