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Covid-19

Em novo alerta, pesquisador fala em retomada da segunda onda

O documento cita a precoce flexibilização das medidas restritivas de circulação de pessoas
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Fonte: Joana Rebouças - Há 2 semanas

O epidemiologista da Fiocruz/Amazônia, Jesem Orellana, lançou na quinta-feira, 6, um alerta sobre a possível retomada da segunda onda da Covid-19, em Manaus

No documento, Jesem cita a precoce flexibilização das medidas restritivas de circulação de pessoas na capital do Amazonas. Segundo os dados divulgados, quando o governador, Wilson Lima (PSC), anunciou a retomada de algumas atividades não essenciais o risco de morte pela Covid era 30,2% para cada 100 mil habitantes, o que seria 310% maior de quando foi anunciado a flexibilização no final da primeira onda.

“O governo do Amazonas, afinado com o Ministério da Saúde, flexibilizou, em 22 de fevereiro de 2021, de forma precoce e rápida as medidas restritivas à circulação de pessoas, data que coincidiu com o período de 07 de fevereiro a 27 de fevereiro de 2021 (semanas epidemiológicas 06 a 08), quando o risco de morte era de 30,2 (IC95%: 27,5- 33,1) para cada 100 mil habitantes ou 310% (IC95%: 232-406) maior do que no período da flexibilização pós pico da primeira onda, quando o risco de morte por Covid-19 foi de 7,4 (IC95%: 6,1-8,9) para cada 100 mil habitantes”.

Por conta da precoce flexibilização, os números mostram uma interrupção na queda da Covid-19 em Manaus. No período do dia 28 de fevereiro deste ano a 9 de março, o risco de morte foi de 14,2 para cada 100 mil habitantes.

“Um valor não apenas alto, como levemente maior do que o risco de morte por Covid-19 observado no primeiro pico da segunda onda, no período de 13 de setembro a 03 de outubro de 2020, o qual foi de 12,1 (IC95%: 10,5-14,0) para cada 100 mil habitantes”, informa o pesquisador.

Segundo o alerta, a partir do dia 21 a 27 de março de 2021, observa-se a interrupção da queda. E nos dias 04 a 10 de abril começa a retomada da segunda onda.

“O cenário de precoce, rápido e amplo relaxamento das medidas de distanciamento físico em Manaus, parece ter causado o recrudescimento ou a retomada da segunda onda”.

Jesem informa ainda que há a possibilidade de mudança no perfil de mortalidade nesta retomada, por conta da vacinação do público acima dos 59 anos.

Ao Portal Norte de Notícias, o epidemiologista disse que eles esperam que essa retomada da segunda onda não seja pior do que Manaus vivenciou em janeiro deste ano, mas disse que o coronavírus é imprevisível.

No documento, ele fala também sobre a necessidade da revisão dos relaxamentos em curso, como a liberação de eventos com até 100 pessoas, o retorno do ensino presencial e da praia da Ponta Negra. À reportagem, ele informou que sempre há tempo de achatar a curva de contaminação.

Cenário

De acordo com o último boletim epidemiológico divulgado, o Amazonas acumula o total de 373.947 casos da doença e 12.707 mortes desde o início da pandemia. Já no cenário nacional, de acordo com o Conass, o Brasil registra, até o momento, mais de 15 milhões de casos e 416.949 óbitos acumulados.

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