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Alerta

Rio Negro atinge máxima de 29,23m após forte chuva desta segunda-feira

CPRM indica que o nível deve atingir uma cota de 29,50 m ainda este ano
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Fonte: Jefter Guerra - Há 1 semanas

Um dia após forte a chuva na manhã desta segunda-feira, 3, a cota do nível de rio Negro bateu a média de 29, 23m,  o que reflete um aumento de 7 cetimetros da média de ontem que foi de 29.16m, de acordo com dados divulgados pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM). 

Por conta da forte chuva de ontem, vários estragos aconteceram em diversas zonas da cidade, como o transbordar de um igarapé que fica ao lado  do posto de triagem da Operação Acolhida, na avenida Torquato Tapajós,  Zona Norte e os deslizamentos de barrancos nos bairros da Redenção e da Paz, ambos na Zona Centro-Oeste da cidade. 

Mas, quem explica melhor sobre essa elevação do nível do rio Negro em 24 horas e os os alagamentos na cidade de  Manaus é a pesquisadora em Geociência do Sistema de Alerta Hidrológico do Amazonas do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Luna Gripp. 

“Esse acrescimo significa que a cota do nível do rio Negro já ultrapassou o que se considera como cota de inundação. E para Manaus, essa inundação acontece quando o Centro da Cidade e todas as suas adjacências já começam a sofrer impactos relacionados à inundação. E isso vem acontecendo desde a última sexta-feira, 30, quando a cota bateu 29,03m. E de sábado para cá, a gente vem observando que a inundação começou a tomar conta da região central da cidade”, diz. 

Previsão de cheia

Gripp explica que as previsões do CPRM indicam que o nível deve atingir, ainda este ano, uma cota de 29,50m com intervalos próximos a 30,50m. ”O que indica é que temos uma grande probabilidade de ultrapassar a cota máxima, atingida em 2012, que foi de 29,97m. Ou seja, é muito provável que o rio apresente uma cheia de grande magnitude ainda este ano”, falou. 

Sobre as chuvas de ontem, que ocasionou as inundações em vários pontos da cidade de Manaus, a pesquisadora explica que isso aconteceu porque a água da chuva teve dificuldade de escoar por causa da estrutura urbana, ou seja, da forma como está a estruturada a avenida Torquato Tapajós. 

“Mas essas chuvas não impactam o nível do Rio Negro. Mesmo porque, mesmo que esse água chegue ao rio Negro, não é o suficiente para auterar o seu nível . Uma vez que para isso ocorra é preciso uma chuva de 40 ou 50 mil metros cúbicos por segundo, ou seja, 40 milhões de litros de água que esteja caindo pela cidade. Então mesmo que chova muito no município essa quantidade de água não vai ser sgnificativa em termos de impacto no Rio Negro”, concluiu. .    

Então, a pesquisadora conlui que a chuva que vai dizer se o rio Negro vai ter uma grande cheia, não é a chuva que aconteceu especificamente ontem em Manaus, mas sim, a que cai em toda bacia do Rio Negro, princpalmente, as águas que vem da Colômbia e as que desaguam do Rio Branco . 

Meteorologista 

Já de acordo com o Meteorologista do  Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), Lucas Mendes, é importante referir que o período da estação chuvosa é caracterizado por maior frequência de dias com maior cobertura de nuvens e volume mensal de chuvas mais acentuado geralmente compreende o período entre novembro do ano anterior até abril do ano seguinte. 

Mendes informa ainda que, desde 2020, a Região Norte está sobre a influência do fenômeno climático La Niña que se caracteriza pelo resfriamento anômalo do Oceano Pacífico Tropical ao longo de meses, fator que auxilia em alterações nos padrões de circulação dos ventos e das chuvas. Sendo que para região Amazônica são verificados aumentos na intensidade das estações chuvosas, podendo até mesmo justificar cheias mais expressivas de alguns rios. 

"Além disso, em um escala de tempo muito menor, fenômenos meteorológicos como a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e da Zona de Convergência Intertropical (ZCAS) possibilitam a formação de áreas de instabilidade sobre grande parte da Região Amazônica, contribuindo para um volume significativo de precipitação (chuvas) durante o período de suas atuações", explicou.

Previsão de chuvas para Manaus nos próximos 3 dias:

Quarta-feira, 5 - Céu nublado com chuvas a qualquer período do dia, alternando curtos intervalos de céu parcialmente nublado. Temperaturas variando entre 23°C a 29°C.

Quinta-feira, 6 - Céu parcialmente nublado a nublado, sujeito a chuvas rápidas a tarde. Temperaturas variando entre 24°C a 30°C.

Sexta-feira, 7 - Céu nublado com chuvas preferencialmente pela manhã, alternando curtos períodos de sol entre nuvens a tarde. Temperaturas variando entre 24°C a 29°C.

Alerta chuva ontem

Já de acordo com o gerente do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), coronel Ricardo Hartherly,  as imagens do Radar Meteorológico de Manaus indicavam que, por volta das 10h30 da manhã, uma área de instabilidade na nuvem se formou na zona urbana da cidade. 

“A proximidade dessas nuvens favorecida pelo escoamento de oeste produziu um aglomerado convectivo cuja refletividade no seu núcleo central alcançou cerca de 50 dbz, que  possibilitou  ocorrência de chuvas fortes acompanhadas de rajadas de vento e descargas elétricas associadas. Dessa forma os ventos do oeste deslocaram o sistema no sentido da zona urbana onde ocorreu a precipitação”. 

No período da chuva  entre 11h e meio dia, os dados da estação meteorológica  do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), localizada no bairro Adrianópolis, apresentaram volume de chuvas de 26,8 mm e uma queda na temperatura de cerca de 4°C (de 28°C para 24°C) com rajadas de vento na ordem de 4,6 m/s, o que equivale cerca de 18 quilômetros por hora. 

Com a informação sobre uma forte chuva com rajadas de ventos, o gerente do Censipam, coronel Ricardo Hartherly, disse que enviou mensagem de alerta à Defesa Civil por volta das 11h10h da manhã.

Solidariedade

Devido à forte chuva na manhã de ontem, a Secretaria de Estado da Assistência Social (Seas) em parceria com a Fundação Amazonas de Alto Rendimento (FAAR), atendendo ao pedido do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), acolheu 89 venezuelanos desabrigados após enxurrada que atingiu o posto de triagem da Operação Acolhida, na Avenida Torquato Tapajós.

Os venezuelanos que estão em processo de transição para outros estados, foram acolhidos em um espaço provisório nas dependências da Vila Olímpica de Manaus, no bairro Dom Pedro, zona centro-oeste de Manaus.

A FAAR informa, ainda, que está recebendo doações, a partir desta terça-feira (04/05) até sexta-feira, 7, de todas as pessoas que quiserem ajudar os desabrigados com roupas, calçados, mantimentos e materiais de cama e banho.

As doações serão recebidas na sede da Vila Olímpica, no Dom Pedro, período previsto para a permanência dos acolhidos no local, em horário comercial, respeitando todas as medidas de segurança contra a Covid-19.

Comitê municipal 

Já por parte da Prefeitura de Manaus, em uma ação conjunto, prestou auxílio na recuperação e atendimento aos imigrantes do Posto de Interiorização e Triagem da operação ‘Acolhida’, localizado na Torquato Tapajós, zona Oeste, destruído  na tarde desta segunda-feira, 3, após o muro de um terreno particular desabar e causar inundações no local. 

Os órgãos municipais integram o comitê de pronta-resposta e após avaliar os danos colocaram em prática um plano de ação.

“O cenário é desolador, como um cenário de guerra, infelizmente. Acabei de conversar com o prefeito David Almeida, que já mobilizou cinco secretários do município. Nós estamos aqui sob a liderança e coordenação do prefeito, para que juntamente com o Exército, que toma conta dessa área, a gente possa colocar a prefeitura à disposição deste espaço, que é um espaço acolhedor, que abriga os nossos irmãos venezuelanos, para que possamos juntos minimizar os danos e os prejuízos”, ressaltou o vice-prefeito e secretário da Seminf, Marcos Rotta.

Agentes da Defesa Civil avaliaram o local e os prédios próximos que foram alagados. “Devido ao grande acúmulo de chuva no terreno particular ao lado do posto, parte do muro desabou, comprometendo a estrutura do posto de triagem. Iremos elaborar um laudo técnico, juntamente com a perícia, para que possamos avaliar as condições do terreno e os poderes estadual e federal possam montar uma nova estrutura de atendimento no local”, enfatizou o secretário da Casa Militar, tenente William Dias.

 

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