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Octógono

Lutadores de MMA do Amazonas usam estratégias de treino em meio à pandemia

Atletas lamentam a falta de eventos nacionais e buscam lutas no exterior
image Crédito: Da Redação (Márcio Pontes e José Aldo; Ronys Torres à direita)
Fonte: Anilton Jr - Há 2 semanas

O Amazonas é considerado um verdadeiro celeiro de grandes lutadores. Ronaldo Jacaré, José Aldo, Ketlen Vieira, Bibiano Fernandes são alguns dos guerreiros "barés" que elevam o nome do Estado pelos ringues e cages do mundo todo.

Mas desde o ano passado, os atletas amazonenses do MMA tiveram que encarar um novo oponente: a Covid-19. A luta continua em 2021 e, infelizmente, não parece estar próxima do fim. A pandemia afetou os treinos dos atletas, o número de eventos e a continuidade dos exercícios para os futuros talentos do esporte.

Um dos mais notórios lutadores do Amazonas, o manacapuruense Ronys Torres, 35, afirma que teve mais tempo para ficar com a família, mas lamenta a paralisação dos eventos de MMA em todo o Brasil.

"Minha última luta foi em dezembro de 2019. Ano passado até tive mais tempo de ficar com a família, e gostei muito. Agora em 2021, a gente precisa trabalhar. Mas no Brasil não está tendo evento. A situação não está difícil só para os lutadores, mas para o mundo todo", afirmou o lutador.

Treinos e cuidados

O ex-treinador de José Aldo e vice-presidente Federação Amazonense de MMA (Femma), Márcio Pontes, afirma que a saída que muitos lutadores encontraram para manter a forma foi realizar os treinamentos em locais abertos.

"Cerca de 30% das academias de lutas de Manaus têm trabalhos voltados para o MMA. O que eu observei, é que muitos lutadores foram para os lugares abertos, seguindo as determinações sanitárias. E também adotando parceiros fixos de treinamento. Não é a mesma coisa, mas o importante é manter a forma para quando surgir um evento", disse o professor de artes marciais.

Morando no Rio de Janeiro há 19 anos, Ronys Torres também recorreu aos treinos em locais abertos com o uso de máscara e álcool em gel. O que não deu, segundo ele, foi manter o distanciamento social em todos os momentos.

"Treinar de máscara é obrigatório. O MMA é um esporte de contato, então, nem sempre dá para manter o distanciamento social. Mas os locais passam por fiscalização. É bem complicado treinar assim, mas a gente tem que se adaptar como está o mundo. A gente reclama, mas é para o nosso bem. O maior problema foi ficar sem lutar", lamenta o atleta amazonense.

Fora do país

Enquanto o Brasil enfrenta a pior fase da pandemia da Covid-19 e segue praticamente sem eventos, países como os Estados Unidos e Rússia – que já avançaram significativamente em vacinação -  já têm eventos de MMA sendo realizados em 2021, alguns inclusive com público.

Na última sexta-feira, 9, por exemplo, três lutadores amazonenses entraram em ação no Absolut Championship Akhmat, franquia de MMA da Rússia, disputado na Bielorússia, país do leste europeu.

Pelos moscas (57kg), o manauara Maicon 'Boca' Silva finalizou Osinkhon Rakhmonov, com uma guilhotina no primeiro round; Herdeson Capoeira Batista derrotou Lukasz Kopera, pelos leves (70kg) e Cleverson Carrilho Silva, de Coari, foi vencido por decisão unânime pelo russo Khasein Shaikraev.

“A Rússia está tendo evento ‘direto’. Nos Estados Unidos já retornaram vários eventos, onde provavelmente eu devo lutar em maio. Fora do Brasil está tendo evento”, disse Ronys.

Interesse dos jovens

Em meio a tudo isso, é inevitável surgir a preocupação com o futuro do MMA amazonense. Porém Márcio Pontes tem uma boa notícia: o interesse da ‘garotada’ continua em alta.

"Tenho recebido muitas ligações, mensagens pelas redes sociais, de jovens em busca do sonho de ser lutador profissional. Isso é bom porque mantém o mercado ativo. Porém, claro que as atividades ainda estão restritas. A gente vai se adequando e conduzindo da melhor forma esses jovens que queiram ingressar no MMA e nas artes marciais como um todo", ponderou Pontes.

Para Ronys Torres, o importante é lembrar que a pandemia vai passar. “Para essa garotada que está começando ou que tem poucas lutas, é manter a esperança, manter a fé que uma hora isso vai passar. A gente torce que toda a população brasileira seja vacinada logo”, finalizou.

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