image


Repiquete

Nível do rio Negro volta a descer um centímetro nesta segunda-feira

Luna Grip alerta que, mesmo com o processo de vazante, não se encerra os impactos da inundação
image
Fonte: Jefter Guerra - Há 5 dias

Desde que iniciou o seu processo de repiquete, na última quarta-feira, 16, subindo 3 centímetros, ultrapassando a  marca históricam que foi de  29,97 em 2012,  chegando a 30,02 metros, sendo a maior cheia dos últimos 119 anos, o rio Negro voltou a descer na manhã desta segunda-feira, 21, em um centimetro, passando a ficar na marca de 30,01 metros. A informação é da Defesa Civil Municipal

O repiquete acontece quando o rio já está estabilizado e ele volta a subir ou descer, como está acontecendo em Manaus, explicou, na última quarta-feira, 16, a engenheira e pesquisadora da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CRPM), Luna Grip. 

“Esse ano, se a gente observar as chuvas anteriores e previstas para os próximos meses e os níveis dos rios nas estações mais montantes, ou seja, mais próximas das cabeceiras, há uma grande possibilidade de termos esse repiquete. Claro, que falando de ciências naturais, tudo depende, nada podemos afirmar com 100% de certeza, por conta das viações ao longo dos anos”. 

Segundo Grip, o que tudo indica com todas as informações analisadas havia uma grande probabilidade deste repiquete. “E como estamos observando nos últimos dias, nós estamos encerrando o processo de enchente na região central da Amazônia e iniciando o processo de vazante. Para Manaus, por exemplo, o rio chegou a ficar oito dias constante na cota próximo a 30 metros, para depois, entre domingo e segunda, ele começar a reduzir, atingindo aí o início do processo de vazante”. 

Impactos na cidade

Grip alerta que, mesmo com o processo de vazante, não se encerra os impactos da inundação. “Para Manaus,  por exemplo, a gente considera a cota de inundação de 29 metros. E essa cota ela foi atingida no final do mês de abril, então o rio começou a subir. E desde o final de abril até agora, meados do mês de junho, subiu aproximadamente um metro. Então pra esse rio voltar a esse um metro, retirar suas águas da região central do município deve demorar também um tempo. Isso porque o processo de vazante é um pouco diferente do de enchente, mas o recado é claro no sentido que, o fato de o rio começar a descer não significa que influencia no processo de impacto das inundações”. 

A pesquisadora concluiu que, com os impactos das inundações, os bairros que ficam nos pontos mais baixos de Manaus continuarão sofrendo com a enchente. 

Conter impactos

Porém, mesmo com processo instável da cheia deste ano, para conter os impactos nos pontos mais baixos da cidade, a Prefeitura de Manaus informou que tem trabalhado todos os dias para minimizar os danos causados pelo fenômeno natural na região.    

A Casa Militar, por meio da Defesa Civil, construiu mais de 11 mil metros de pontes e passarelas em 20 bairros da capital amazonense. 

Aproximadamente 4 mil famílias foram beneficiadas com as construções que estão permitindo o acesso às casas neste período de cheia.

Retrospectiva cheia 

No último dia 1° deste mês o rio ultrapassou a cota da maior cheia registrada em 2012, que foi de 29,97 metros, ficando em 29,98 metros. 

Durante a cheia, entre os bairros mais afetados de Manaus foram: Centro, Educandos, São Jorge, Cidade Nova, Aparecida, Glória e Mauazinho, que já estão recebendo o atendimento das equipes da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) com a construção de pontes.

Segundo informações do vice-prefeito, Marcos Rotta, as ações de prevenção dos impactos da cheia na vida das pessoas é prioridade nesse momento tão delicado. O Comitê Especial de Enfrentamento das Cheias Fluviais do Município está desenvolvendo medidas extremas para auxílio à população que trabalha ou mora próximo de áreas de risco de transbordamento.

“O prefeito David Almeida tem se desdobrado em acompanhar todos os impactos da cheia na cidade de Manaus, para que possamos ter a dimensão do que possa ser a maior cheia da história da cidade, mas também as ações que a gente precisa empreender para minimizar os danos e os prejuízos. Temos buscado ações preventivas desde os primeiros sinais de que a cheia deste ano seria uma das maiores”, ressaltou Rotta, que é presidente do Comitê.

De acordo com o secretário da Casa Militar, tenente William Dias, a meta é  de que 7 mil metros de pontes sejam construídos para atender todos os pontos de alagações que foram mapeados pela prefeitura no município.

Outros danos  

Por conta da subida do rio, em maio, as linhas de ônibus 300, 356, 448, 500, 560, 640 e 650 deixaram de atender o Terminal da Matriz e passam a dobrar à esquerda na avenida Sete de Setembro, por onde seguem até a avenida Getúlio Vargas, para, em seguida, cumprir o itinerário normal.

A mudança, determinada pela Prefeitura de Manaus, foi no trecho da avenida Floriano Peixoto, o que impossibilita o trânsito dos veículos, principalmente pelo fato desses veículos articulados maiores terem piso mais baixo que os ônibus convencionais.

Usuários de transporte que embarcavam nessas linhas no Terminal da Matriz passam a ter como opções de embarque uma parada de ônibus instalada atrás da Igreja Matriz, na avenida Sete de Setembro, e outra na Sete de Setembro, próximo à praça da Polícia.

Antes dos articulados, a cheia já tinha afetado outras linhas de ônibus que passam pelo Centro de Manaus.

Outros Municípios 

Além da capital, outros municípios do Amazonas que também estão sofrendo com cheia do Rio Negros foram: Anamã (a 165 quilômetros de Manaus), que esteve totalmente submersa. Lá , 9 mil pessoas foram afetadas.

No Careiro da Várzea (a cerca de 25 km de Manaus), 6 mil famílias enfrentaram a realidade cruel da subida do rio. 

Já no município de Iranduba (a 27 quilômetros de Manaus) a situação do transbordamento afetou mais de  27.216 mil pessoas. 

E em Autazes (a 180 quilômetros de Manaus), o cheia dificultou a vida de 3.454 mil pessoas, com cerca de 90% de área rural, segundo a Defesa Civil do Amazonas.

 

Tags