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Dia do Índio

Quase 300 indígenas do Amazonas já perderam a vida pela Covid

Mais de 6,7 mil aldeados do Estado já foram acometidos pelo vírus; São Gabriel da Cachoeira é onde tem mais infectados
image Crédito: Da Redação
Fonte: Anilton Jr - Há 2 semanas

Em meio a pior pandemia dos últimos 100 anos, pouco há para se comemorar neste 19 de abril, celebrado como o Dia do Índio. No último sábado, 17, Benisson Machado, da etnia Tukano, foi mais um indígena vítima da Covid-19. Ele estudava pedagogia na Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e atuava como colaborador do Bahseikowi Indígena – Centro de Medicina.

A UEA publicou uma nota de pesar em seu site oficial. “A Universidade do Estado do Amazonas vem a público externar o mais profundo pesar pelo falecimento do aluno da etnia tukano, Benissom Machado, do curso de Pedagogia da Escola Normal Superior (ENS/UEA), ocorrido neste sábado”.

Em 13 meses de pandemia, 1039 indígenas já perderam a batalha contra o novo coronavírus, no país; além de 52.494 mil infectados e 163 povos afetados. Os dados são da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). Segundo a Fundação de Vigilância em Saúde do Estado (FVS-AM), só no Amazonas, foram 6.773 casos registrados nessa população, com 283 óbitos confirmados.

A cidade amazonense com mais registros de Covid-19 em indígenas é São Gabriel da Cachoeira: 5.201. Lá, foram confirmadas 97 mortes, o maior número do Estado. Em números proporcionais, Maués tem a maior taxa de letalidade entre os indígenas, com 99 casos e oito mortes.

Abandonados

A plataforma "Covid-19 e os Povos Indígenas" – grupo de especialistas que reúne estatísticas da pandemia com base em dados da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e das secretarias estaduais de saúde – afirma que o SUS não possui estrutura suficiente para atender os povos indígenas.

“O subsistema do Sistema Único de Saúde (SUS) criado para atender a saúde indígena sofre com a falta de estrutura e de recursos para tratamento de complicações mais severas como a Covid-19. Além disso, os modos de vida de muitos povos criam uma exposição às doenças infecciosas a qual as pessoas nas cidades não estão submetidas”, diz nota da plataforma.

Vacinação

Em janeiro deste ano, Vanda Ortega, do povo Witoto, entrou para a história ao ser a primeira profissional de saúde e mulher indígena do Amazonas a ser imunizada contra a Covid-19. 

Mas, de acordo com a FVS-AM, 1 em cada 4 indígenas que vivem no Estado ainda não foram imunizados contra a Covid-19.

Os dados do “Vacinômetro” estadual apontam que 73% da população indígena aldeada recebeu a primeira dose e 54% receberam a segunda dose da vacina contra o vírus. Ao todo, são 101.567 mil indígenas que devem ser totalmente imunizados, no Amazonas.

“Os números oficiais não refletem a extensão da pandemia. A falta de desagregação dos dados dificulta o reconhecimento das regiões e dos povos mais afetados. Outro problema grave é a ausência de dados sobre indígenas que vivem fora de Terras Indígenas homologadas”, afirma a plataforma "Covid-19 e os Povos Indígenas".

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